quinta-feira, 20 de agosto de 2009

CHEIA DE DESEJOS (João 4)

CHEIA DE DESEJOS (jo.4)

Já e quase meio dia. O sol está escaldante e estou cansado e com sede. Só que aquela mulher precisa muito falar comigo. Coitada... Todo dia é mesma rotina enfadonha de encher o cântaro e retornar para a cidade. Bem, irei ter com ela mesmo que necessário for passar por Samaria. Cheguei finalmente à fonte de Jacó. Ela se aproxima com um olhar desalentado e sem vida. Preciso fazer alguma coisa. Peço-lhe de beber ao qual ela retruca espantada pelo fato de ser eu judeu e ela samaritana. Preconceito que começa com ela. Argumenta que o poço é fundo e que eu não tenho nada nas mãos para oferecer. Ah... meu povo só é capaz de observar as coisas visíveis. Não retruco nada. Se ela ao menos soubesse quem lhe fala e lhe promete a água da vida eterna, não apenas uma água para saciar uma sede momentânea. De repente desperto seu interesse. Ela quer dessa água também. Nem que seja para acabar com essa nefasta rotina. Faço menção de sua vida sentimental, o que lhe fez pensar que sou um profeta.
A sua curiosidade agora é despertada para águas mais profundas. Começamos a entrar no terreno da adoração.
Finalmente ela entende... Entende que meu Pai procura adoradores que o adorem em Espírito e em Verdade, não importando lugar; hora, a maneira de orar, recitações a serem feitas. Características inerentes do meu próprio povo.
Ela retorna à cidade e esquece o seu cântaro nosso de cada dia. Será isso um ato falho? Ela não precisa mais desse cântaro, símbolo da antiga natureza. Vai correndo falar de Jesus para os seus. Permaneci em suas casas por dois dias, pois agora queriam ouvir diretamente de mim. Também estão com sede.
Muita sede.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

FLUXO DE VIDA

FLUXO DE VIDA

Doze anos se esvaindo em sangue e indo de mal a pior.E tem tanta gente desiste por muito menos. Chantagistas, médicos sem escrúpulos, faziam parte de sua rotina. Mas isso não era o suficiente para fazê-la parar. Não era uma mulher comum. Ela sabia o que era superação. Ela sabia que Jesus haveria de passar por ali. Havia ouvido sobre sua fama. E, dessa vez, não foi um ouvir qualquer. As suas entranhas lhe diziam que agora era diferente. Ele se aproxima. Ela, sem pensar nas conseqüências, vem por trás, toca na orla dos seus vestidos. Isso faz com que de Jesus saia poder e, como num abrir e fechar de olhos, se vê livre do seu flagelo. Está limpa. Deixou de ser imunda perante os olhos daquela sociedade machista e hipócrita. Antes teve que passar por aquela multidão que a oprimia. Isso sem contar com a insensibilidade dos Seus próprios discípulos, que deveriam ser os primeiros a ajudá-la. Isso faz parte da natureza humana. Apenas uma barreira a mais. Ele pergunta quem o tocou. Queria que eu me manifestasse em público. Trêmula, confesso o que aconteceu. Ele queria que ficasse notório o que me aconteceu. Queria não apenas me curar, mas resgatar minha dignidade como ser humano. Vou me apresentar agora ao sacerdote como determina a Lei. Sou uma cidadã. Tenho meus direitos de volta. Posso participar livremente da sociedade; ir ao Templo, às festas, constituir uma família. Por que não? Sou livre em Cristo Jesus. Sou livre para sempre. Aprendi que a pior prisão é o preconceito. Não de quem sofre mas, sobretudo, de quem o pratica. Preciso seguir meu caminho. Afinal, tenho que recuperar o tempo perdido...

CHEIA DE DESEJOS (João 4)

sábado, 18 de abril de 2009

O LAVA-PÉS

O lava-pés
Lições maravilhosas podemos extrair da passagem de Jo 13. Jesus declara todo o seu amor dizendo que ama seus discípulos e que os "ama até o fim". Uma tradução mais correta seria que os "amou até o extremo", não deixando uma porção sequer, por mais ínfima que pudesse ser, ser alvo desse seu amor. Um amor extremado e levado às últimas conseqüências. Um amor extremado em que o que mais importa é amar, a despeito de não ser correspondido. Um amor extremado que, até no último momento, se preocupa em honrar, aquele que já o vinha traindo. Esse amor extremado que se despoja de sua "vestimenta de cima", abrindo mão de sua divindade e lançando mão à toalha, símbolo de servidão, do ser humano, do ser igual sem perder sua essência. Amor extremado que cura as feridas daqueles pés cansados e empoeirados com as mazelas desse mundo. Amor extremado que aponta para a cuz. Amor extremado que aponta para o novo mandamento:"Que vos ameis uns aos outros assim como eu vos amei". Emir Tavares
NO FUNDO DO POÇO
Aproxima-se o meio-dia. O sol está escaldante. Jesus está indo em direção daquela mulher samaritana. Todo dia ela faz aquele trabalho estafante e tediante que é o de pegar água naquele poço de Sicar que, curiosamente, significa "algo está entupido". Entupida, seca, estéril, está a natureza humana ávida por sorver da água da vida. Jesus lhe pede água, justamente a ela, uma mulher samaritana que não se dá com o povo judeu. Preconceito que parte justamente dela. Jesus passa por cima de todo tabu, de toda regra imposta pelo homem e conversa com aquela mulher que, aos poucos, vai tendo a revelação de quem é o seu interlocutor. Percebe que não se trata de alguém comum e sim de alguém que pode não apenas dessedentar sua sede mas fazer com que dentro dela jorre uma fonte de vida eterna. Quer falar com os seus acerca dessa boa nova. Deixa para trás o seu cântaro do dia-a-dia, símbolo de uma velha natureza. Não precisa mais dele.
Emir Tavares

A TAL DA AMIZADE

AMIZADE
O VALOR DE UMA AMIZADE
Procurei muito, longos caminhos percorri.
E quanto mais eu me questionava mais eu me distanciava dessa Tal da amizade.
Confuso e aturdido fiquei, pois eu sempre ouvi dizer acerca dessa Tal da amizade.
E no meio desse caos existencial que em mim se instalou eu comecei a aprender algo sobre essa Tal da amizade.
Fiz o caminho de volta. Penoso, confesso. Mas só então meus olhos se abriram e meu coração bateu mais forte.
Passei a procurar não mais essa Tal da amizade.
Passei a amar o valor de uma Verdadeira amizade. Não preciso me distanciar; muito menos me questionar.
Ao fazer o caminho de volta, ao me aproximar dessa minha natureza, aceitando-me como sou, descobri que tinha e era amado por tanta gente. Não precisava ir longe.
Eles sempre estiveram perto. Muito perto! Desisti, então, de procurar amigos. Nada disso faz mais sentido.
Descobri que, acima de tudo, preciso ser eu, O amigo.
Emir Tavares

sábado, 11 de abril de 2009

VERDADEIRA RESSURREIÇÃO

Fico pensando na Ressurreição e, ao mesmo tempo, no que isso signica na prática; o que ela representa para cada um de nós. Se para nós a Ressurreição do Senhor está limitada a um túmulo vazio e frio, ou limitada apenas pelo fato do registro em que foi visto por mais de quinhentas pessoas de uma só vez, precisamos rever nossa fé. Digo isto, pois nesse caso seremos "o mais infelizes dos homens" pois estamos vivendo uma fé rala sem eco na vida prática. Evidentemente que nossa esperança reside no fato que Jesus ressuscitou e, um dia, seremos ressuscitados em um novo corpo que semeiava imundícia e colherá um corpo incorruptível.
Mas, e o resultado prático dessa "ressurreição? Até o dia do juízo vamos ficar de mãos atadas, onde a quatro segundos morre uma criança de fome nesse planeta? E onde fica a ressurreição interior da nova criatura? A cada dia que passa as pessoas estão ficando cada vez mais voltadas para si mesmas, para os seus próprios interesses. Tem que haver um renovo interior a cada momento, e não acharmos que o sofrimento; a apostasia, o mal que grassa cada dia vez mais virulento, o egoísmo, a altivez e a arrogância, são "trade mark" dos últimos dias. Isso é alienação espiritual, ou comodismo mesmo. Quem já ressuscitou coloca a mão no arado sem olhar para trás, se preocupa em fazer o bem sem olhar as circunstâncias, se o alvo de sua benesse é "merecedor" ou não. Há pouco tempo assisti a uma reportagem acerca da qualidade de vida das três cidades mais carentes do Brasil. A água chegava em carro pipa e não dava para todos, que tinham que voltar para casa com seus galões vazios. Na próxima semana quem sabe... Eu sei que na próxima semana muitas crianças poderão ter morrido, ou terem contraído mais doenças. Fiquei estarrecido com a minha própria inércia. Que cada um faça sua própria análise de consciência.
O nosso Senhor faz menção ao fato de atendermos ou não a quem tem fome; tem sede - e não só de água, mas também de justiça -, visitação aos doentes em hospitais, dentre outras. Quem assim o faz, faz para Ele. Quem assim não o faz, não o faz para Ele. Também.
Que não ouçamos:"Nunca te conheci". Afinal, somos "novas criaturas" não é mesmo?
Pr Emir Tavares